sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Democracia Racial?? Aooonde...?


Quando, em 1933, Gilberto Freyre publicou Casa Grande & Senzala, retratava as relações entre senhores e escravos como pacífica, onde os senhores eram bons, cuidadosos e compreensivos e os escravos aceitavam docilmente a posição de cativos. Nasce aí tese da democracia racial baseada mais na visão pessoal de Freyre, nascido e criado em família abastada pernambucana, do que em estudos sociológicos. Ele justificava a igualdade inclusive pelas frequentes e comuns relações sexuais entres os senhores e suas escravas, como se fossem relações consentidas e livres de violência.

As relações entre negros e brancos no Brasil, apesar do longo período que durou o regime escravocrata, realmente não foi caracterizada pelo mesmo tipo de segregação que houve (e há) nos Estados Unidos. Após a abolição, negros e mestiços libertos tinham, teoricamente, os mesmos direitos de brancos, no entanto, devido à falta de programas sociais de inclusão, a vida livre foi bem diferente da igualdade anunciada, foram libertos e deixados ‘ao Deus dará’. Sem terras para plantar muitos correram para as zonas urbanas em busca de melhores chances, mas não encontraram situação muito melhor, uma vez que os escravos das cidades foram libertos da mesma maneira. Sem casa, acabaram se aglomerando da forma possível dando origem às favelas. Sem emprego para lhes garantir subsistência restavam atividades marginais: mendicância, furtos, roubos, prostituição. A população negra e mestiça cresceu  e obviamente os problemas também e os poucos que conseguiram driblar esse destino eram exceção. Então a realidade era (e ainda é) uma sociedade formada por negros pobres e miseráveis e brancos ricos e remediados. Ainda hoje, apesar das ações inclusivas dos últimos anos, ainda há diferença na escolaridade de negros e brancos, nos salários, nas colocações profissionais. 127 anos após a abolição da escravidão e 82 após Casa-Grande & Senzala ainda estamos procurando a democracia racial.
Charge: Pestana

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